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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

besti -árido

PAPO


  • Assim como se lesse de repente um texto de Júlio Cortázar escrito ao avesso do que penso.

  • Nem vem.

  • Mas é uma implicação adequada, meu amigo. Cada coisa é como é.

  • E você vibra com isso, não? Exonera-se em arriscar abarcar o mundo. Uma semente é uma semente até rebentar e revolver acaju-catinga e ponto.

  • A essência continua lá.

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BOCA DA NOITE

E como se não tivesse chegado o momento, sabe? Aquele instante parecido com o lusco-fusco? Precipitei-me até o corpo dele, inerte, adormecido sobre todas as desvantagens, e o beijei... Na boca! Sem medo que ele despertasse, consigo a sensação que procurava: sem ar, uma alegria triste, um afago ininterrupto, ausência de sons e realidade. Ainda fiquei a meio centímetro de sua boca, tentando sorver o máximo do hálito, suspirado em camadas finas de ar... Eu tentava, desesperadamente, beber a sua respiração, com a devida certeza que levaria sua alma pra dentro de mim. (suspiro, tempo) Ele sorria... Sorria e abria os olhos, como a caçoar. A gargalhada imensa, metálica, surgia insuportável, cruel mesmo. Qual é o gosto da minha boca, há quanto tempo esse sentimento? Eu não sabia o que dizer, temia emporcalhar com palavras aquele instante tão meu, tão perto da descoberta do amor real. Eu só sabia da precipitação.  Ele não dormia, fingia. Uma traição. Então, ele ergueu de um salto, sacudindo meus ombros... É uma trepada que você quer? Isso não nos fará mal. Eu trepo com você. Mas não me beija, que eu tenho nojo. E... assim, como no lusco-fusco, ele me beijou...

                                       Relato: Ademir Esteves
"A Caravana da Ilusão"
      'A Caravana da Ilusão', de Alcione Araújo, é um texto pequeno, com um enredo simples, porém repleto de personagens míticos, frases ambíguas, sensações...
       Descreve a saga de uma trupe de artistas mambembes que, abalados com a morte do pai, líder e guia do grupo, se encontram indecisos em uma encruzilhada.  O espetáculo foi montado, com direção de Ademir Esteves,  em quatro versões diferentes e além da temporada no Espaço Cultural Santa Elisa, foi apresentado em escolas, universidades, Febem e em praças públicas com destaque para a Esplanada do Teatro Pedro II de Ribeirão Preto durante a Feira Nacional do livro de 2004.

recordando

"Madame Blavatsky"
      A montagem de “Madame Blavatsky” consumiu perto de um ano de pesquisa e ensaios diários. Segundo Ademir Esteves, a peça que o público vai assistir não é uma biografia. Esteves explica, que neste texto, Plínio Marcos não se compromete com a história de Helena Blavatsky e sim com o autoconhecimento e a religiosidade do homem comum: “Trata-se de uma fantasia sobre uma mulher vigorosa que luta contra tudo e todos”, explica o diretor.

      Helena Blavatsky nasceu na Ucrânia em 1831. Ainda muito jovem mostrou sua rebeldia ao fugir do marido e dedicar seu tempo às viagens ao Oriente onde, segundo ela, obteve revelações de conhecimentos secretos dos mestres do ocultismo e isso lhe valeria perseguições e ameaças de morte. Atacada pelos inimigos, acusada de impostora e charlatã, enfrentou todos os preconceitos sociais.

Plínio Marcos
      Considerado um dos mais polêmicos e instigantes dramaturgos brasileiros, Plínio Marcos foi um autor maldito de assuntos malditos como homossexualismo, marginalidade, prostituição e violência, Marcos foi um dos primeiros a retratar a vida dos submundos de São Paulo.
      A exemplo de Blavatsky, Plínio Marcos também sofreu perseguições e preconceitos. O autor era uma pedra no sapato dos militares que governavam o país. Eles o viam como um “inimigo do sistema”. Seu crime? As peças que escrevia.
      Com todas as obras proibidas pelo regime militar, Marcos quase desistiu de escrever. Mas, na década de 80, quando o regime militar terminou e seus textos foram liberados, novamente surpreendeu. Escreveu as peças “Jesus Homem” e “Madame Blavatsky”, nas quais mostra seu lado mais espiritualista

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